sexta-feira, 17 de março de 2017

Pela Magia de Acreditar - 6ª Parte




Depois de tomar um farto pequeno almoço, David e os outros ninjas puseram-se a caminho. A viajem seria longa, e teriam de a fazer com muito cuidado. Principalmente quando entrassem no território dos outros ninjas, situação que se verificou tão logo passaram a montanha de Darin, local onde, segundo a lenda, todos os ninjas encontravam as respostas para as suas dúvidas relativas ao caminho a seguir, e onde faziam as suas escolhas.
Quando já se encontravam no território de outros ninjas, Haran e os outros ninjas que os acompanharam assumiram a sua invisibilidade, uma capacidade totalmente ninja. David olhou para onde esperava ver Haran, porque deixara de ver a sombra lado a lado com a sua.
- Haran?
- Estou aqui, rapaz. Não te esqueças que tens de ficar invisível.
- Não sei se consigo. Não me esqueci, mas não sei se consigo.
- Consegues, Kiroan. Eu sei que consegues. O segredo é só acreditar. E tu acreditas, não acreditas?
O jovem olhou em volta, na espectativa de ainda ver algum dos seus companheiros, mas não vislumbrou nenhum. Podia sentir-lhes a presença, e dessa forma saber onde estava cada um deles, mas não via ninguém. Assim, e sentindo uma força como nunca sentira, encarou a presença de Haran e com uma voz profunda disse: - Eu, acredito!
E o lugar onde estivera Kiroan, era agora apenas paisagem verdejante. Tornara-se tão invisível como os outros.
O que diferenciava o jovem ninja dos outros, era que ele, era o único que conseguia não ser detetado pelos olhos perscrutadores da serpente incandescente. Aqueles olhos que ela tinha, de um âmbar estranhamente maléfico conseguiam, contrariamente aos olhos dos humanos, ver onde é que os ninjas invisíveis estavam. Mas Kiroan, não. Ele era por isso o único a poder passar por ela, mostrar-lhe o espelho que a apagaria, e, porque ela ficaria sem quaisquer forças, ele poderia retirar o sabre do seu avô.
Quando chegaram a Talan, o templo da serpente e dos ninjas que haviam roubado  o sabre, estes não os podiam ver. Kiroan, haran e os demais, continuavam invisíveis, o que fazia com que os outros, embora os pudessem sentir, não os pudessem ver, dificultando muito mais a batalha que ali aconteceria.
Cada ninja sabia o que fazer. Haran e Kiroan procurariam e encontrariam o caminho para os confins daquele templo, lá onde a serpente guardava noite e dia o sabre de luz. E enquanto isso, os outros ninjas, ficariam à superfície a entreter numa batalha quase toda feita de toca e foge, os ninjas causadores de toda aquela desunião.
Tal como previram, Kiroan, acompanhado por Haran, passaram sem problema pelos ninjas do templo de Talan. Eram demasiadas presenças de ninjas invisíveis que haviam chegado quase em catadupa, os ninjas nem se deram conta que dois dos recém-chegados haviam ido mais longe que o pretendido.
Entretidos que estavam naquela batalha, nem se deram conta de nada, e assim deram tempo aos outros dois, para entrarem pelo alçapão e descerem as íngremes escadas que os conduziriam a sala da serpente. Um cheiro a terra molhada, umidade e mais qualquer coisa que não lhes era possível detetar subia-lhes ao nariz. Era um cheiro propício  a ser ignorado, pensaram enquanto seguiam caminho.
A certeza que seguiam pelo caminho que os levaria ao que pretendiam encontrar, tiveram-na quando, ao terminar as escadas, os seus pés tocaram o chão plano, e, ao fundo do corredor, uma luz forte e que mais parecia jorrar de um local que ainda  não conseguiam ver, devido à porta da sala estar entreaberta, espalhava-se por todo o lado, indicando que estavam muito  perto do alvo.

(…)


Sem comentários:

Enviar um comentário

Partilha comigo a tua teoria.