quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Unicamente um Poema

 

 

Há um rio entre nós chamado tempo.
E quanto tempo havemos de nos esperar?
Já não somos pergunta, nem certeza,
nem tão pouco qualquer coisa a dizer.
Dizemo-nos de tudo.
Segredos não nos cabem, porque o segredo somos nós.

Há um mundo entre nós chamado miragem.
Ainda olhamos nem sei para onde,
nem sei porquê.
Não nos queremos, não nos largamos,
e por vezes só o que nos dói
é não saber tudo o que existe para lá do muro
que a vida nos impôs.

Não saltamos o muro e
já nem temos mãos para nos darmos.
Há muito que este copo está vazio e
que a vida resvalou para um outro outono sem sonhos,
flores e só folhas caídas,
como os restos de tudo o que nos aconteceu.

E foi assim que nos acontecemos…
Sei que não te lembras. Sei que não me lembro.
E por isso, agora é só agora.
Tal como um verso retido numa única linha,
tal como as linhas que espero um dia
ninguém as possa entender, como nem eu,
nem tu, que depois de nós,
não nos sabemos procurar.

Não é como procurarmos uma casa, ou
um lago de águas claras onde mergulhar.
Não é como ler um livro imenso, na busca
de um final tão inserto e tão fugaz.
Não é como qualquer coisa que se possa escrever.
Não é como qualquer coisa que se possa esperar.

É tão somente como tem de ser.

Único.

 

*

 

 

2 comentários:

  1. Anónimo14:28:00

    Foi a pedido? Está bom e intrigante!

    Abraço

    Rui

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    Respostas
    1. Oh! também foi a pedido, mas não só. Foi porque, reconheço, isto andou muito paradinho. Mas confesso: Um leitor quando pergunta pelos nossos trabalhos, é sempre gratificante e cativante!. Um abraço, Rui! :-) E muito obrigada pela leitura e, apreciação! :-d

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