segunda-feira, 19 de maio de 2014

Demora

 

 

Demora-te em mim como em mim

se demorou a saudade de ti.

Demoro-me em ti, como em ti

desejei que se demorasse tudo o que te quis dedicar.

Que se demore tudo o que pudermos ter p'ra demorar.

 

Que se demore a chegar o fim do nada que temos, diante tudo o que somos.

 

Há uma demora qualquer que nos afasta - a mesma

demora, que nos faz voltar e, não

nos deixa esquecer:

os teus dedos quentes, demorados,

no meu rosto;

E os teus lábios, exigentes, nos meus lábios;

e os nossos corpos que se demoram nos momentos

que desejamos, sem motivo, sem explicação...

 

E depois, quando toda a demora tiver fim,

que se demore o adeus - aquele adeus.

O mesmo que vi nos nossos gestos.

O mesmo adeus que me dizes por palavras, mas contrarias quando me abraças.

 

Porque no teu abraço, cabe-nos o mundo...

assim como no meu peito existe e cabe-me o teu lugar.

 

 

*

 

 

1 comentário:

  1. A "demora" quando é a nosso favor pode ser muito boa não é?

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