quinta-feira, 20 de março de 2014

O Complexo Sentido de Sentir

 

Sim, eu sinto. Sinto tudo, ou nada, mas sinto. Mas só às vezes. Não quando quero, não quando a vida me pede que sinta, mas sim quando a vida faz de tudo para que eu sinta. E eu gosto do que sinto, quando sinto, mas só de verdade.

Então, às vezes, eu sinto que te amo. Não só porque te digo que te amo, mas sim, porque sinto que te amo. E é por isso que te digo: Amo-te, mas, só às vezes.

Então, às vezes, eu digo que dói. E não é só porque às vezes choro que digo que dói. Eu digo que dói porque sinto, da superfície de mim até ao fundo do que sou, que dói, mas, só às vezes.

Então, às vezes, eu sinto vontade de rir e, riu muito. Riu enquanto posso e não posso, riu por tudo ou por nada, mas só às vezes.

E então, às vezes não sinto. E quando não sinto não digo. E quando não digo que sinto, é porque não posso dizer - não sinto p’ra dizer

 

Eu gosto de sentir. Eu gosto do que sinto. Não sempre. Só às vezes.

Sentir sempre é esperado, é fraco, é comum e, eu gosto do incomum, do inesperado, do que é intenso, forte, avassalador. Daquilo que vem do fundo de nós e nos agita, transforma, marca. Por isso eu sei que só gosto de sentir, mas sentir verdadeiramente, às vezes., não sempre, mas sim, às vezes.

Porque não há essa coisa de sentir sempre. Ninguém sente sempre, quando é p’ra sentir de verdade, com intensidade, no verdadeiro sentido do que é sentir.

Gosto de sentir quando ninguém sente, quando ninguém espera; nem mesmo eu. E é por isso que eu gosto de sentir. Porque não sentia e agora sinto. Sinto mais, sinto tudo, sinto, na verdadeira complexidade da palavra sentir, mas só agora. Não antes nem depois. Só agora, por agora.

 

E é só quando sinto, mas só quando sinto mesmo, que me ouves dizer que sinto, que sabes que sinto. Então, por favor, Não me peças que diga o que eu não sinto, quando não sinto.

Que se eu não sinto, juro. Não sei dizer.

 

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