terça-feira, 25 de março de 2014

Entretanto Meu Amor

 

Existe ao lado da cama, no chão um papel.

Um bilhete deixado com as palavras que sobraram da vastidão que fomos.

Tem, depois do último adeus, um

beijo que é meu e,

um rosto gravado, que vi

amanhecer comigo tão poucas vezes.

O teu rosto - o mesmo, p’ra quem escrevi

tantos versos soltos, que acabaram

secos e mortos,

depois de um obrigado que

se deixou por acaso e, depois

de nos precisarmos e nos termos, num entretanto.

 

Porque fomos isso: um entretanto;

enquanto pudemos, enquanto

houvessem versos e beijos e,

palavras por trocar, corpo a corpo,

passo a passo,

beijo a beijo, sem promessas

De nós; porque não fomos

Nós, depois do papel que agora amaço,

a fim de não deixar soltarem-se as lembranças do quanto te quis

sem querer; sem saber como

te deixar de amar, mais

uma vez – uma última vez, que

entretanto ainda lembro, meu amor.

 

*

 

 

1 comentário:

  1. Os cantos e recantos do amor, rabiscado num papel amarelecido na escarpa da saudade, tatuada em corpos famintos!

    JINHO

    http://diogo-mar.blogspot.com/

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