sábado, 7 de dezembro de 2013

Até quando

 

Vá! Força! Coragem!

Parte a louça toda, desata os laços e as amarras que te prendem; grita, mostra-te, não te anules mais! Já chega, sabias? Já chega de te esconderes, de te prenderes, de seres o que esperam de ti. E tu? O que é que esperas de ti?

Só isso? Ficares a vida toda à mercê do que os outros querem, do que os outros pensam, do que os outros sentem?

Não! Basta! Porque olha, não são esses que te exigem tanto e que tanto esperam de ti, que estão dentro de ti e sentem a dor que carregas, sempre que por eles abdicas de ti mesmo e te anulas assim, nessa prisão de gritos mudos, gestos reprimidos, medos à flor da pele, sonhos esquecidos e tanto, tanto mais que tu sabes que sentes, mas calas e ignoras, relativizas como se de nada se tratasse - deixas para trás, até que seja o teu momento; se esse momento chegar.

Mas basta, porque eles, sim eles! Aqueles por quem te abandonas, até quando?

Até quando estão por ti, contigo, ao teu lado? Quantas vezes? Em que tempos? Em que situações? Será que são as mesmas em que te desprezas, em prol deles? Não! Não são, e tu sabes.

Então para! Pensa! Esquece-os… Hoje, pelo menos hoje; esquece as migalhas que te dão por favor, os sorrisos forçados que te dirigem, as palavras meigas ditas por caridade ou, porque fica bem. Hoje vive por ti, só por ti; que eles vivem por eles e até são capazes de lamentar a tua ausência, mas se vires bem, é só quando lhes fazes falta; quando a solidão deles foi a única coisa que lhes restou para além da tua leal presença, que no fundo, depois de tanta anulação de ti mesmo, nunca os deixou, mas eles nunca foram capazes de admitir ou, perceber.

 

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