segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Restos de uma Poetisa, a Louca


Perdi-me nas páginas de um livro nunca lido;
numa angústia surda, refletida em cada linha
de pensamento e realidade.
As prateleiras cheias de memórias, são os quadros
que descrevem no fundo, o que não sou capaz de dizer.
Acabaram-se-me as palavras, os gestos e a coragem.
Fiquei numa história onde ainda espero um final qualquer,
que sem ser por acaso desconheço, como
tantos outros finais pelos quais
anseio.

Não sou o troféu nem a coisa vencida;
ainda que vencida pelo cansaço me redima.
É mais fácil dizer basta que entregar-me ao que desconheço;
é mais fácil abdicar daquilo
que os olhos vislumbram, que daquilo
que só eu sei ser – a louca, talvez…

Sou o alvo dos meus erros, e os meus erros são
marcas das minhas derrotas e vitórias;
enquanto o meu olhar repousa junto da terra – a mesma onde
ainda espero chegar outra vida.
Os meus olhos e os meus braços, cansados e perdidos, procuram
ainda um novo rumo – mas não vislumbro nada…
é como ter um coração feito em peças e,
um jogo perdido, à espera de se acabar.

Há nesta chuva de outono uma calidez perturbante;
e um desfasamento tão frio como o frio que sinto;
e uma ausência tão grande como um corpo morto – o meu
que sem nada ainda procura o
fim de uma história que ainda
sinto ter forças p’ra escrever.

Mas quem sou eu no fim de contas; se
da vida não espero nada, p’ra além de escrever os livros,
nos quais possa viver mesmo depois do adeus;
e poder em fim morrer para o mundo, assim como o mundo há muito que me matou.

Daquela que ainda em mim vive e escreve, restou a poesia.
Daquela que julgo ser… já não sei o que restou.

                    *                  

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