domingo, 15 de setembro de 2013

Flor de Inverno


Era assim que ela me chamava; sempre atenciosa, sempre correta, sempre ao mesmo tempo, tão protetora e atenta.
Eram todos os dias as mesmas três palavras… um doce sentido e, sobre tudo - mais importante que tudo: um doce sentir.
Os dias não me eram dias, se, a caso, viessem sem o que me dizia, sem todo o sentir que punha no que me chamava e eu ouvia, sem resposta, pois, entendê-la era ouvi-la em silêncio, como se ouve o som das estrelas, sempre que a noite nos parece ter algo a dizer.

 - Pela força que tens, pelas lutas que travas, pelas batalhas e guerras que enfrentas; pelos Invernos frios e chuvosos que tu, minha pequena flor, tens passado.

“Flor de inverno”; uma gigante de palmo e meio, que ela via crescer, entre outras flores, a sonhar com outros bosques, outras florestas, outros lugares… e até quem sabe, com outros mundos.
E sempre que eu sonhava, os seus olhos nos meus eram dois pequenos mundos que eu adentrava, curiosa, como quem lê atenta e sedenta por mais saber, as páginas de um livro que mesmo depois de lido, já mais deixa de ser todo um mundo novo, aberto e cheio de outros mundos, a descobrir.

“Flor de Inverno”, assim me chamou por tantos dias… e tantas noites… por entre tantos momentos que se findaram tão logo findou a sua caminhada, e tão logo os seus olhos se fecharam. E desde então, eu deixei de perscrutar ávida por mais descoberta, tal como uma flor rebelde que ela, e só ela sabia de cor, os seus mundos profundos, únicos, que trazia nos olhos;
aqueles olhos que eu amava, e que hoje escrevo em jeito de lembrança, porque escrever, como ela dizia, é, também, uma forma terna de, mais que lembrar, amar.

                    *                  

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