sábado, 7 de setembro de 2013

Depois do Pôr-doSol


Esfumou-se o tempo
impassível.

Nada faz sentido
agora.
Só resta o nevoeiro
lá fora.

E eu
aqui, sem tempo
p’ra ver nascer
outro dia
que não vem.

Não sei porquê, mas não vem,
mais um dia no
virar do tempo,
no passar das horas,
no correr do destino.

As minhas mãos tateiam,
sem urgência
o novelo e as feridas
que quando acabarem
os dias, ficarão
comigo, incólumes,
como eu que
ainda espero paciente, pelo
fim, que em fim
me pertence,
como raras, tão raras coisas
me fazem parte.

        O fogo vai-se apagar e
depois do pôr-do-sol,
não haverão mais dias,
nem tempo, nem destino.

Só a noite fica p’ra me fazer companhia,
no lugar que
outrora era teu, vida minha,
por quem morri tantas vezes,
quantas se pode morrer
de saudade;
e por quem vivi tantas vezes,
quantas se pode viver,
de amor.

                    *                  

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