sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Até Amanhã, Se Houver Amanhã

 

Não digas nada… Abraça-me apenas, e salva-me de mim mesma. Não me chames a razão, porque nem sei se razão tenho. Também se puderes, não me faças promessas de que vai ficar tudo bem, porque o amanhã, tu sabes, sabe-me a desconhecido e mesmo assim eu vou ter medo quando ele chegar… como sempre, e para sempre.

Não te afastes agora, por favor; apenas segura-me nos braços, e chama-me de pequenina como sempre me chamaste, daquele jeito que mais ninguém chama, porque ninguém me entende como tu. Se não for pedir muito, passa-me a mão nos cabelos, e beija-me a testa com aquele respeito e distanciamento seguro mas não exagerado, e com a lealdade que sempre encontrei em ti.

 

A vida é tão longa e tão cheia de altos e baixos, que eu não consigo entender nada, ou quase nada, e por isso as minhas perguntas estão escritas em todo o lado das paredes da casa para onde possas olhar, à espera de uma resolução para os dilemas que as fizeram nascer e crescer dentro das minhas loucuras.

Não te espantes ou assustes com a confusão, as roupas espalhadas, e os livros abertos, largados na mesa, a espera que os possa ler um dia. Amanhã talvez; quem sabe?

Não, não digas nada, não precisas de dizer nada… quando me soltares do teu abraço, deixa-me cair para sima da cama; e quando eu fechar os olhos, não te repreendas por nada. Sai de fininho, livre, solto, Soave… como os anjos que é preciso acreditar que temos, para que                                nunca se nos acabem as forças, a coragem, o discernimento. As coisas são como são, e comigo não podem ser diferentes. Eu não odeio o mundo, nem o mundo me odeia. Eu apenas acho que sou o fruto da guerra na qual cresci e me fiz mulher, por entre as batalhas sangrentas das minhas dúvidas e porquês que nunca vi serem respondidos. Mas isso tu já sabes.

 

Não é errado crescer-se assim, nem é, tampouco propriamente mau… é só um pouco confuso. Mas não te preocupes, que está tudo bem; hoje está tudo bem; eu estou bem. Diz-me só que eu sou a tua pequenina e que o sol amanhã vai nascer outra vez, após a noite que tu sabes que eu amo desde que sei quem sou, ou penso que sei quem sou; e desde que sei o que sinto, ou julgo que sinto. Eu preciso acreditar nisso, para que possa finalmente deixar de me combater ferozmente com as minhas incertezas, fraquezas e omissões lamechas.

Vá lá… eu vou fechar os olhos, vou desistir por umas horas, mas vou sonhar. Pode ser que depois acorde para te descrever e escrever o que sonhei, como tantas vezes fiz ao longo das vidas que vivemos, como se fossem uma só… ou não… Também posso não acordar para te contar o outro lado que comanda os meus sonhos e que faz parte de mim, que é tão menos confuso, mas que eu também não conheço. Mas até lá, sorri por nós, Porque como nós não há mais ninguém. E tal como cada pergunta que fiz, que era única, com direito a uma resposta inigualável que ninguém me deu… Cada sorriso teu é diferente, porque leva em si, vás tu para onde fores, um pouco daquilo que contigo eu fui e senti, quando ser e sentir, fazia, ou tinha sentido.

 

*

 

4 comentários:

  1. como queria ser aquele que te podesse dar amao so para ti!

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    1. Mas tu és... porque uma das melhores coisas da vida, é termos irmãos que nos dão a mão de forma verdadeira, como tu... como vocês. Obrigada por tudo. :) **

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  2. Opá em não te chamo de pequenina, tu sabes! Mas és a minha gaija!!

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    1. Eu sei mano... e tu o meu gajo... é bom ter irmãos como vocês... :) obrigada por tudo...

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