sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A Praia

 

Trazido pelo vento até mim, vinha o cheiro do mar e o som melodioso das ondas.

A areia era um dourado que se estendia por quilómetros

e os nossos nomes estavam escritos nesse espaço tão dourado pelo brilho do sol quente, que aquecia a alma e tocava a pele com uma graciosidade estrema.

Eram apenas aquelas duas palavras… dois nomes que viviam num coração que nos pertencia, num mundo feito especialmente por nós e para nós, duas metades que formavam uma vida, dois mundos num só mundo, dois seres que viviam e sonhavam… e seguiam juntos no mesmo caminho, com o sentido de não seguirem caminhos diferentes, porque o amor não se separa, como o fazem os grãos da areia da praia que partilhámos.

 

 … E haviam as ondas na praia; as ondas fortes e espantosas que iam e vinham com uma espontaneidade fulgurante e uma energia tão própria delas mesmas.

Os nomes ficaram escritos por nós, naquele espaço dourado pelo sol e beijado pelo mar, até que os nossos caminhos se separaram, e uma onda chegou de mansinho, e como que num sopro de vento ou realidade, limpou a nossa história.

Hoje ainda existe a lembrança do que fomos na praia da vida, mas a história, foi levada para o fundo do oceano. O teu caminho não é mais o mesmo que o meu, as nossas mãos já não se dão como se deram no dia em que escrevemos os nossos nomes lado a lado, num sonho partilhado, e nós, já não pertencemos ao mesmo mundo, e nem o nosso coração de antes tem os nossos nomes gravados, porque o tempo, como em tudo, passou.

 

A praia ainda lá está, e para sempre vai ficar. A vida vai prosseguir por muito e muito tempo… e a nossa história será apenas mais uma, que não será revivida nem contada, porque só nós a sabíamos, e ninguém a revive, porque ninguém é como nós.

 

*

 

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