sábado, 16 de julho de 2011

Sou o Que Sou

 

Sou a noite e o vento, que revira os teus sentidos.

Sou a sombra da certeza que te invade

e toca os teus medos mais escondidos.

Sou o lado mais deserto da tua alma em harmonia.

Sou o teu porto de abrigo;

lá tu, eu nem sabia!

 

Sou quem te traz e quem te leva, em braços por entre a tempestade.

Sou quem mais conhece de ti - a ferida da tua saudade.

Sou o teu diário escondido no meio do nada…

sou a linha do poema já feito… sou uma porta fechada.

Sou a letra da música que te embala os sentidos…

sou guerreira e defensora, dos teus sonhos proibidos.

Sou a sede  que te seca os lábios, cheios de vontades caladas…

sou o toque das essências que te envolvem, mais suaves e perfumadas.

Sou o telefone na tua agenda, e a carta esquecida de enviar…

sou papel de embrulho sem ter prenda…

sou laço solto, sem se enlaçar.

 

Sou a noite da tua consciência mais reprimida;

sou o tédio que te corta a postura.

Sou o pensamento do fim da tua vida,

e sou o pilar, da tua alma tão certa e segura.

Ao fim ao cabo, não sou mais do que o que sou…

não sou certo nem errado… não estou aqui nem noutro lado…

sou o tempo que acabou.

 

Sou a promessa deitada fora, sou a caneta que não tem tinta,

sou o que fica e não vai embora… e sou aquela que te faz a finta.

Sou o poema que não escreves, sou o livro que tu não lês…

sou o teu caso arrumado - eu sou o resto que tu não és.

Sou a insignificância da tua vida, sou o gesto da tua vontade.

Eu não sou mais do que o que queria, porque sou possuidora da tua verdade.

 

Não sou o dialeto da tua sabedoria,

nem a filosofia do teu viver…

mas sou a química que tu sentias,

e a história que pudeste querer.

 

*

 

1 comentário:

  1. Num estilo que é só teu... provas aquilo que és capaz e sabes fazer... palavras lindas da cor do céu... quem as lê concerteza feliz o irás fazer! Continua!

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